Eco Yoga Park – como é ser voluntário em uma ecoaldeia e passar o Natal com Hare Krishnas

Colocar as mãos na terra. Plantar, colher, regar e preparar o solo. Comer alimentos retirados diretamente da horta orgânica. Comida vegana. Yoga, mantras, arteterapia, meditação e cura.

Assim foram os meus dias no Eco Yoga Park, uma ecoaldeia localizada próximo de Buenos Aires.

Há duas formas de se conhecer essa ecoaldeia. Uma delas é fazendo parte da equipe de voluntários que cuidam da propriedade, e a outra é ir para passar um final de semana em um dos eventos organizados por eles para fazer atividades como Yoga e meditação.

Para participar da equipe de voluntários basta entrar em contato com eles e agendar a data de chegada. É preciso pagar uma taxa de 200 pesos argentinos por dia (estadia maior que 10 dias) para permanecer na aldeia. Eles oferecem uma habitação e 3 refeições por dia. A comida é vegana e deliciosa. É feita pelos devotos com muito carinho. As pessoas que vivem lá são devotos de Hare Krishna e não é permitido fumar ou consumir bebidas alcoólicas nas áreas do Eco Yoga Park.

Para chegar desde Buenos Aires é possível pegar um ônibus e depois um táxi até a propriedade. Outra alternativa é descer no povoado próximo e pegar outro ônibus que te deixa a uns 500 metros do local. A organização do Eco Yoga Park também pode enviar um táxi a partir do aeroporto de Buenos Aires e custa aproximadamente 700 pesos argentinos.

A rotina de trabalho é bem tranquila, mas começa cedo. Às 6:30 da manhã começa o trabalho na horta orgânica. As atividades realizadas incluem colher alimentos, plantar, regar, preparar o solo e limpar os canteiros. É possível também trabalhar na cozinha ou fazer outra atividade com a qual seja familiarizado. Eu, por exemplo, dei aulas de Yoga.

Às 9:00 há uma pausa para o café da manhã e depois as atividades retornam até às 11:30. A tarde é livre e sempre há aulas de Yoga. Há também atividades como teatro, arte e música, mantras e aulas de meditação.

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Essa é a entrada da horta orgânica. É bem grande e se faz rodízio de culturas de acordo com a época do ano. As sementes são orgânicas e eles possuem seu próprio banco de sementes.

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Uma voluntária francesa e Maria, a boliviana super simpática que cuida da horta.

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Plantação de alface.

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A parte mais gostosa do dia era colher amoras para fazer geleia.

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Uma visão geral da horta: cenouras, algumas espécies de vagem e feijão, milho, alface, menta, beterraba, tomate, repolho, manjericão, trigo, entre outras coisas.

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Perto da horta estão essas casinhas tailandesas que são um charme.

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Beterraba linda fresquinha.

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Plantando feijão.

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Essas são cenouras para se retirar as sementes, que são guardadas para serem plantadas na próxima estação. Dessa forma se garante a qualidade das verduras e legumes.

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Pizza vegana com queijo de batata para a janta. Deliciosa.

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Meu dia de trabalho na cozinha foi muito especial. Eu e Murari, um brasileiro devoto muito querido que conheci lá, fizemos tapiocas de banana. Todo mundo adorou e eu matei um pouco das saudades da comida brasileira.

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Nosso prato finalizado.

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No cine fazíamos aulas de Yoga e assistimos à filmes relacionados com espiritualidade, natureza e outros temas que auxiliam na expansão da consciência.

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Parte interna da habitação dos voluntários.

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Esse é o templo. Aqui se fazem as cerimônias Hare Krishnas, mantras e práticas de meditação.

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Esse é o altar fechado, ele só é aberto em determinadas horas do dia.

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Prática de mantras dentro do templo.

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Prática de Yoga ao ar livre.

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Nesse lugar eu conheci muitas pessoas especiais, com quem compartilhei momentos inesquecíveis.

Foi lá que eu passei o meu primeiro Natal longe da minha família. E agora quero compartilhar com você como foi.

O Natal no Eco Yoga Park

O Natal é uma época de muitas contradições. A comemoração do nascimento de Jesus desperta diferentes reações nas pessoas. Tem aqueles que se comovem e ficam amorosos com todos, até mesmo com aqueles não costumam falar ou expressar qualquer afeto durante o ano.

Também existem aqueles que compram presentes como loucos para todos e até mesmo trocam ofensas nas lojas e no trânsito para conseguirem tudo que necessitam às vésperas da Noite Feliz.

Há ainda aqueles que se trancam em suas casas e se recusam a comemorar qualquer coisa, já que essa data não lhes representa nada, pois Jesus nunca existiu e é fruto de teorias de manipulação de massas.

São muitos presentes. Muitas fotos em família nas redes sociais. Muita comida, muita mesmo, até você não aguentar mais. Muitos exageros e consumo desordenado. Isso parece um pouco distante do que se simboliza essa data, não?

Eu nunca entendi o que um boneco de neve tem a ver com o nascimento de Jesus. Eu também não entendia como que em um calor de pleno verão se colocava uma árvore dentro de casa com alguns flocos de neve de enfeite.

E sobre o Papai Noel eu nem vou comentar porque para mim é estranho que um senhor entre por uma chaminé, que venha em um trenó com renas e tenha um saco de onde se tira presentes que nunca se esgotam. Pode ser que para outra realidade essas coisas façam sentido, mas para mim nunca fez.

Os devotos organizaram um dia de atividades para os voluntários (eu, um Francês e um Colombiano) com arteterapia; mantras; conversa sobre o Natal e seu significado; ceia e filme.

O que mais me encantou foi observar todo cuidado e carinho com que fizeram tudo. Em cada atividade havia a preocupação de fazer com que todos nós nos sentíssemos em casa. Sempre aprendemos com o exemplo. Muito mais do que palavras, vale aquilo que observamos e podemos experimentar.

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A primeira atividade que fizemos foi de arteterapia, em que cada um iria pintar sua “árvore de Natal” rompendo os paradigmas da tradicional árvore e observando o real significado dessa figura. A árvore está presente em muitas representações como a árvore genealógica, a árvore da vida, de Natal, a figueira-de-bengala (tradição vedanta) entre outras.

Dessa forma, devíamos pintar uma árvore que representasse nosso ano que passou e colocar nela características que expressassem com nos sentíamos em relação ao que vivemos e em relação às pessoas que passaram por nossas vidas e que de alguma forma auxiliaram a construir esse momento presente.

Após o término da pintura, uma devota que estudou arteterapia interpreta o desenho baseando-se ainda no nosso relato sobre aquilo que acabamos de pintar.

Assim, eu contei sobre o meu ano que passou. Sobre como foi vender e doar minhas coisas e sair para viajar apenas com minha mochila. Sobre como foi deixar de lado o meu trabalho e uma vida considerada estável para aprender outras formas diferentes de viver.

E aprendi muito sobre mim mesma através daquela expressão artística tão especial. E uma coisa que posso afirmar é que naquele momento tive a certeza de que estava fazendo a coisa certa.

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Na minha família Natal é sinônimo de todos os tipos de carne em uma única mesa.

E acredito que assim é para muitos brasileiros. A questão de comer ou não carne é pessoal, não pretendo discutir esse assunto. Apenas faço um convite para uma reflexão sobre toda a comida servida nessa data e a necessidade de ser dessa forma.

A ceia foi preparada pelos devotos com muito carinho. Havia diferentes tipos de comidas veganas e de sobremesa bolinhas de chocolate com aveia e amendoins com chocolate. Toda a comida é feita com muita atenção e carinho, e a maioria dos alimentos são retirados da horta orgânica.

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Obviamente aqui não teve amigo-secreto ou troca de presentes.

Mas aconteceu um fato que preencheu meu coração de alegria.

Murari, um brasileiro que vive aqui, me chamou e me disse que não seria porque eu estava viajando que o Papai Noel iria se esquecer de mim. E então, me deu um livro de Yoga e mais um outro livro de ilustrações que ele mesmo fez. Esse gesto de carinho me emocionou e eu me senti na companhia de um velho amigo querido.

São pequenos gestos como esses que fazem a gente repensar muitas coisas. Muitas vezes a pessoa que está vivendo ao nosso lado e que diz que nos ama é incapaz de realizar um ato que expresse amor verdadeiro e incondicional. E um “estranho” e te mostra que existem pessoas nesse mundo que espalham amor por onde passam sem olhar a quem.

O bonito da vida é estar aberto para novas possibilidades. Para aprender com outras pessoas novas formas de se fazer as mesmas coisas de sempre. Pelo menos uma vez por ano procure trocar os seus costumes por outros bem diferentes e veja os resultados. Uma mente aberta é caminho para o desenvolvimento interior.

Espero que tenha gostado desse meu relato. O que você achou? Comente para eu saber!

Um forte abraço,

Namaste.

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